
27 DE AGOSTO
Dia Nacional da Diálise: campanha da ABCDT coloca pacientes renais no centro da conversa
Mobilização nacional dá protagonismo às histórias de quem convive com a doença renal crônica
Um atleta que corre longas distâncias. Uma avó que acreditou que não veria a filha crescer e hoje ajuda a cuidar da neta. Advogados, engenheiros, professores, estudantes, empreendedores. Todos esses perfis podem ter algo em comum: a doença renal crônica. Para dar visibilidade a essas histórias, a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) lança, no Dia Nacional da Diálise, celebrado anualmente na última quinta-feira do mês de agosto, a campanha "A Vida Além da Diálise". A iniciativa convida pacientes, profissionais de saúde e toda a sociedade a compartilharem fotos e vídeos respondendo à pergunta "Quem eu sou além da diálise?", mostrando que, por trás do diagnóstico, existem pessoas com sonhos, profissões, famílias, talentos e projetos de vida.
"Ainda existe um olhar muito limitado sobre quem faz diálise. Muitas pessoas enxergam apenas a enfermidade ou a máquina e deixam de perceber o ser humano que está ali. Há pacientes que trabalham, estudam, praticam esportes, cuidam da família e realizam sonhos graças ao tratamento. A campanha nasce para mudar essa percepção e mostrar que a diálise não representa o fim da vida, mas a oportunidade de continuar vivendo. Ao mesmo tempo, queremos lembrar que oferecer um tratamento de qualidade é essencial para que essas histórias continuem sendo escritas", afirma o presidente da ABCDT, Ricardo Akel.
Segundo dados do Observatório da Diálise, da ABCDT, o Brasil reúne 170.868 pacientes em diálise. O volume reforça a dimensão crescente da doença renal crônica no país, que avança a uma taxa média de 9,2% ao ano — acima do crescimento populacional.
Mais do que o aumento absoluto de pacientes, o que chama atenção é a distribuição territorial do tratamento. O Sudeste concentra 47,7% dos pacientes em diálise, quase metade do total nacional. Em seguida aparecem Nordeste (21,0%), Sul (18,3%), Centro Oeste (8,0%) e Norte (5,0%). Essa concentração não se repete de forma proporcional quando se observa a infraestrutura disponível. Na prática, essa diferença se traduz em desafios concretos para pacientes que dependem da terapia renal substitutiva, um tratamento que exige frequência elevada — em geral, três sessões por semana — e, portanto, alta dependência de deslocamento e acesso regular aos serviços de saúde. “Em algumas regiões, esse cenário pode significar longas distâncias percorridas até os centros de tratamento, impactando diretamente a rotina dos pacientes e suas famílias. A geografia, nesse contexto, passa a ser um fator determinante na continuidade do cuidado”, comenta Akel.
Sustentabilidade das clínicas também impacta o cuidado
A campanha também chama atenção para um tema pouco conhecido pela população: a sustentabilidade das clínicas responsáveis pelo atendimento dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a ABCDT, o financiamento da Terapia Renal Substitutiva (TRS) ainda apresenta uma defasagem histórica em relação ao custo real do tratamento, o que compromete a capacidade de expansão da rede e dificulta a abertura de novas vagas.
Neste ano, houve um avanço importante com o reajuste de 15% destinado à Terapia Renal Substitutiva, composto por um aumento de 4,4% na tabela de remuneração do SUS e pela criação de um crédito tributário equivalente a 10,16% para as clínicas de diálise. "Esse avanço representa um passo importante para fortalecer a rede de diálise no país. Ainda há um longo caminho para superar a defasagem histórica do financiamento, mas começamos a construir condições que ajudem a garantir a continuidade da assistência", destaca o Akel.
O crédito tributário permitirá que as clínicas habilitadas utilizem os valores para compensar tributos federais vincendos, como Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS e Cofins. A medida busca reduzir parte da diferença entre os custos reais da terapia e os recursos atualmente recebidos pelas unidades que atendem pelo SUS.
"Quem eu sou além da diálise?"
A mobilização acontecerá nas redes sociais com a hashtag #AVidaAlémDaDiálise e com a trend "Sua Vez – A Vida Além da Diálise", incentivando pessoas de diferentes regiões do Brasil a compartilharem suas histórias e mostrarem que viver com doença renal é muito mais do que fazer um tratamento.
"Queremos que a sociedade conheça as pessoas por trás do diagnóstico. A doença renal faz parte da vida desses pacientes, mas não resume quem eles são. Eles trabalham, estudam, praticam esportes, cuidam da família, constroem carreiras, realizam sonhos e seguem escrevendo suas histórias todos os dias. É essa realidade que queremos colocar em evidência neste Dia Nacional da Diálise", conclui o presidente da ABCDT, Dr. Ricardo Akel.
840
CLÍNICAS DE DIÁLISE
+170 MIL
PACIENTES RENAIS NO BRASIL
+800
UNIDADES EM RISCO DE FECHAMENTO
+2 MIL
AGUARDAM NA FILA PARA CLÍNICAS DE DIÁLISE
10,3%
ÚLTIMO REAJUSTE
CONCEDIDO PELO MS

Campanha #AVidaAlémDaDiálise
Mais de 170 mil brasileiros dependem diariamente da diálise para viver. Para garantir o acesso a um tratamento digno, seguro e de qualidade para todos os pacientes renais crônicos, a ABCDT convida profissionais de saúde, pacientes e toda a sociedade a engajarem na campanha #AVidaAlémDaDiálise. Siga os canais oficiais: Instagram @avidaalemdadialise e @abcdt_dialise. Apoie esta causa!
Realizado pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), o Dia Nacional da Diálise conta com o patrocínio da DaVita Tratamento Renal e a união de grandes organizações representativas da saúde no país: ABIMO, ABRASP, ABREC MS, CNSaúde, FBH, FENAPAR, Fundação Pró-Rim, Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e SONESP.
A ABCDT
A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) é uma entidade de classe sem fins lucrativos que representa institucionalmente as clínicas privadas de nefrologia de todo o país. Criada há 35 anos, a ABCDT atua na defesa da qualidade do atendimento dialítico brasileiro, por meio de uma remuneração justa da terapia renal substitutiva; representando as clínicas de diálise e transplante nos fóruns nacionais e nas negociações com entes públicos e privados. Atualmente, há cerca de 800 centros de diálise atuantes no Brasil que, juntos, atendem quase 170 mil doentes renais crônicos. E 85% destes pacientes são tratados em clínicas privadas conveniadas ao Sistema Único de Saúde. A ABCDT atua também na esfera judicial, defendendo os interesses das associadas. Outro importante foco de trabalho é desenvolvido em parceria com diversas associações de pacientes, visando um atendimento digno ao doente renal.
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